Dez fatos sobre a Silver Economy e o novo mercado criado pela longevidade

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O envelhecimento da população brasileira já deixou de ser apenas uma questão demográfica e passou a representar uma transformação significativa para a economia. A mudança no perfil etário do país também cria novas oportunidades de mercado. À medida em que cresce a presença de consumidores 50+, aumenta a demanda por produtos, serviços e experiências que acompanhem seus diferentes momentos de vida, impulsionando a chamada Silver Economy.

“A Silver Economy não é um nicho. Ela acompanha uma mudança na composição da sociedade e na forma como as pessoas consomem, trabalham, cuidam da saúde, utilizam tecnologia e planejam o futuro. Para as empresas, compreender esta transformação passa a ser uma questão de estratégia de mercado”, afirma Cristián Sepúlveda, cofundador da Silver Hub, primeira aceleradora de startups de economia da longevidade do Brasil, e o Inova Silver, plataforma e evento de conexões de negócios e inovação que tem como objetivo impulsionar este mercado no Brasil.

Sepúlveda elenca dez fatos que ajudam a entender o avanço da Silver Economy no Brasil e mostram como o envelhecimento da população vem transformando o perfil do consumidor, criando novas demandas e abrindo oportunidades para empresas de diferentes setores.

A população idosa é a que mais cresce no país

O Brasil tinha 35,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em 2025; eram 22 milhões em 2012: crescimento de 60% em doze anos, segundo o IBGE. A proporção de idosos na população saltou de 8,7% em 2000 para 16,6% em 2025, quase dobrando em pouco mais de duas décadas.

Quem chega aos 60 anos hoje vive, em média, mais 22,6 anos

A expectativa de vida ao nascer, no Brasil, saltou de 52,5 para 76,6 anos entre 1960 e 2024; um ganho de mais de 24 anos. Quem chega aos 60 hoje pode esperar viver, em média, mais 20,8 anos (homens) ou 24,2 anos (mulheres).

A taxa de fecundidade caiu de 6,3 para 1,6 filhos por mulher

Entre 1960 e 2024, a taxa de fecundidade brasileira despencou de 6,3 para 1,6 filhos por mulher, bem abaixo do nível de reposição populacional (2,1). É esta combinação de menos nascimentos e mais anos de vida que muda a pirâmide etária do país, de uma base larga para um formato retangular.

O consumidor 50+ já movimenta R$ 1,8 trilhão por ano no Brasil

Em 2024, a população acima de 50 anos foi responsável por R$ 1,8 trilhão em consumo no Brasil, 24% de todo o consumo privado das famílias brasileiras, segundo o estudo Brasil Prateado, desenvolvido pela data8.

O mercado deve dobrar de tamanho em vinte anos

A projeção é que o consumo do público 50+ no Brasil, que reúne hoje cerca de 75 milhões de pessoas, passe de R$ 1,8 trilhão em 2025 para R$ 3,8 trilhões em 2044, quando essa faixa etária deve representar 40% da população brasileira, de acordo com estimativas da data8.

O consumidor maduro gasta mais e cada vez mais on-line

A população madura vem ampliando sua relevância econômica. Em 2025, pessoas com 60 anos ou mais eram responsáveis pela chefia de 21,6 milhões de domicílios, equivalentes a 32% dos lares brasileiros, e vem ampliando sua presença nas compras digitais, segundo levantamento da consultoria Nexus com base na PNAD Contínua do IBGE.

Brasil terá uma das maiores populações 60+ do mundo

Projeções indicam que o país poderá chegar a cerca de 65 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em 2050, o que o colocaria na sexta posição mundial em número absoluto de idosos.

“Cegueira etária”: os gaps que podem custar trilhões às empresas

Apesar do tamanho e do potencial deste mercado, muitas empresas brasileiras ainda não estruturaram produtos, marcas e canais pensados para o consumidor maduro. Entre os principais gaps estão o marketing excessivamente direcionado ao público jovem, o tratamento do consumidor 60+ como um grupo único e homogêneo, a falta de adaptação de produtos e interfaces e a ausência de dados, estratégias e equipes dedicadas a entender as necessidades desse público.

Marcas já lucram com o público maduro no Brasil

Ainda um movimento bastante incipiente, já tem marcas desenvolvendo soluções específicas para esse público. Entre os exemplos estão a Mapfre, que lançou um seguro empresarial voltado ao público 60+ para instituições de longa permanência; a Uber, que criou uma conta sênior no Brasil, com textos e ícones maiores e menos telas; e o Banco Mercantil, com o projeto Meu+, que reúne serviços não financeiros voltados ao público acima de 50 anos. O debate já avança da longevidade como “viver mais” para “viver melhor”, passando do cuidado reativo para uma abordagem mais proativa, com o uso de sensores e inteligência artificial para antecipar riscos antes que eles aconteçam.

O capital de risco descobriu a longevidade como categoria de investimento

O envelhecimento da população e a busca por uma vida mais longa e saudável vem estimulando o surgimento de startups dedicadas a terapias, descoberta de medicamentos, prevenção, diagnóstico e tecnologias relacionadas ao envelhecimento, além de outras soluções que não são só de saúde.

(…)

“Juntos, estes dez fatos contam a mesma história: o Brasil está diante de uma das maiores transições de mercado do século, e ainda tem tempo para se preparar para ela”, finaliza Sepúlveda.

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