Do domínio do cinza ao retorno dos tons terrosos: a nova tendência da arquitetura

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Durante mais de uma década, o cinza dominou a arquitetura e o design de interiores em todo o mundo. Associado ao minimalismo, ao estilo industrial e à estética contemporânea, tornou-se a cor predominante em residências, edifícios corporativos e empreendimentos imobiliários. Sua neutralidade transmitia sofisticação e modernidade mas, com o passar do tempo, muitos ambientes passaram a ser percebidos como excessivamente frios e impessoais.

Nos últimos anos, uma mudança significativa começou a ganhar força. Impulsionada pela busca por bem-estar, conforto e conexão com a natureza, a arquitetura passou a valorizar ambientes mais acolhedores, com o uso de tons terrosos como terracota, areia, argila, caramelo, ocre e marrom. Esta nova paleta cria espaços mais quentes, sensoriais e humanizados, especialmente quando combinada com materiais naturais como madeira, pedra, fibras e vegetação.

A tendência ficou evidente nas principais mostras de arquitetura e design do mundo. Na CASACOR São Paulo 2026, os ambientes destacaram o uso de cores quentes, texturas naturais e elementos que promovem aconchego e bem-estar. Da mesma forma, a CASACOR 2025 apresentou projetos que reforçam a valorização de uma estética mais afetiva e acolhedora.

No cenário internacional, o Salone del Mobile Milano 2025, principal feira de design do mundo, confirmou essa direção ao apresentar mobiliários, revestimentos e objetos em tons terrosos e naturais, evidenciando a preferência por materiais orgânicos, superfícies táteis e paletas inspiradas na terra.

Essa transformação também chegou às fachadas dos edifícios. O cinza, o concreto aparente e os grandes panos de vidro vêm cedendo espaço para revestimentos cerâmicos, pedras naturais, madeira e cores inspiradas na natureza. As novas construções buscam criar uma relação mais harmoniosa com o entorno, incorporando conceitos de sustentabilidade, biofilia e conforto visual.

Mais do que uma simples mudança de cores, essa tendência representa uma nova forma de pensar a arquitetura. Se o cinza marcou uma era de neutralidade e racionalidade estética, os tons terrosos simbolizam um momento em que o conforto, a identidade e a conexão emocional com os espaços tornam-se protagonistas. A arquitetura contemporânea caminha para ambientes mais humanos, acolhedores e alinhados às necessidades de bem-estar das pessoas.

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