A expansão da construção industrializada no Brasil está mudando não apenas os sistemas utilizados nas obras, mas também a maneira como projetos são concebidos e executados. Neste cenário, o steel frame exige uma atuação integrada entre arquitetos, engenheiros, fornecedores e equipes responsáveis pela construção, com decisões técnicas tomadas desde as primeiras etapas do desenvolvimento do empreendimento.
O movimento acompanha a evolução do setor. Segundo o Índice Geral de Industrialização da Construção, elaborado pelo FGV IBRE, a participação de sistemas construtivos industrializados nas obras brasileiras passou de 14,8% em 2025 para 15,7% em 2026. No segmento de edificações, o índice avançou de 16,1 para 18,8 pontos no mesmo período. Os dados indicam uma ampliação gradual do uso destas soluções e reforçam a importância de preparar os processos de projeto e execução para esta transformação.
A integração entre os profissionais é um dos fatores que influenciam o resultado das obras em steel frame. Diferentementemente de processos em que diversas definições são ajustadas durante a execução, os sistemas industrializados demandam planejamento antecipado e compatibilização entre arquitetura, estrutura e instalações elétricas e hidráulicas. Quando estas disciplinas são desenvolvidas de forma coordenada, torna-se possível identificar interferências antes do início da obra, reduzir a necessidade de adaptações no canteiro e organizar melhor as etapas de montagem.
A discussão ganhou espaço no setor. Mês passado, o 4º Seminário Industrialização na Construção, realizado no Rio Grande do Sul, destacou a aproximação entre indústria, projetistas, incorporadoras e construtoras como um caminho para ampliar a adoção de sistemas industrializados. Entre os desafios debatidos estavam a escassez de mão de obra, os ciclos construtivos e a necessidade de incorporar novas tecnologias aos canteiros.
Para Diego Vaz, da iBUILD, a maior rede de franquias de construção industrializada do Brasil, a evolução do steel frame depende de uma mudança de mentalidade que começa antes da execução. “A industrialização exige que arquitetura, engenharia e construção trabalhem de forma coordenada desde o início. Não basta escolher um sistema construtivo diferente e manter a mesma lógica de desenvolvimento de uma obra convencional. É preciso considerar as características do sistema nas decisões de projeto, compatibilizar as disciplinas e planejar cada etapa para que a execução aconteça com mais precisão e previsibilidade”, afirma.
Esta integração também influencia as possibilidades arquitetônicas. A escolha do sistema construtivo interfere em aspectos como modulação, dimensionamento dos ambientes, especificação de materiais e passagem das instalações. Quando estas definições são consideradas desde a concepção, arquitetos e engenheiros conseguem trabalhar de maneira complementar, conciliando as intenções estéticas do projeto com os requisitos técnicos e executivos.
Na construção residencial de alto padrão, em que soluções personalizadas e atenção aos detalhes são especialmente relevantes, esta coordenação ganha ainda mais importância. A industrialização não elimina a liberdade criativa, mas exige que as escolhas arquitetônicas estejam alinhadas às condições de fabricação, montagem e desempenho do sistema. O resultado depende da capacidade de transformar o projeto em um processo executivo bem definido, sem deixar decisões fundamentais para o canteiro.
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Com o avanço da industrialização, a integração entre os diferentes agentes da cadeia tende a ganhar relevância nas decisões do mercado imobiliário. Mais do que incorporar novos materiais ou tecnologias, a transformação envolve rever processos, antecipar decisões e aproximar quem projeta de quem executa. Neste contexto, a compatibilização entre arquitetura, engenharia e construção se consolida como uma condição importante para ampliar a eficiência e a qualidade das obras em steel frame.

