A poética da luz e dos ventos: do muxarabi ao cobogó na arquitetura contemporânea

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Existe uma magia particular na forma como a luz entra nos ambientes construídos. Quando fazemos arquitetura, a busca pela transição suave entre o interior e o exterior sempre é uma intenção. Para entender esta busca por criar experiências e sensações – ambientes que respiram e filtram luz -, precisamos olhar para trás e seguir o fio condutor de uma tradição secular: a jornada que começa nos muxarabis e desagua na brasilidade dos cobogós.

Esta história começa no Oriente Médio e no norte da África. Os muxarabis, treliças de madeira vazada, nasceram de uma necessidade pratica e cultural de garantir a ventilação constante, resfriar ambientes em climas áridos e proporcionar privacidade, permitindo ver sem ser visto. Quando mouros dominaram a península ibérica durante séculos, impregnaram a cultura portuguesa com este saber construtivo. Não demorou para que, na colonização, os portugueses trouxessem os muxarabis ao Brasil. As vilas coloniais paulistas, mineiras e baianas ganharam janelas e varandas entrelaçadas em madeira, perfeitamente adaptadas ao nosso clima tropical.

Com a industrialização e a busca por novos materiais no início do Século XX, a arquitetura brasileira deu um salto inventivo. Em Recife, na década de 1920, três engenheiros – Coimbra, Boeckmann e Gois (cujas iniciais formam a palavra Co-Bo-Gó) – recriaram o conceito do muxarabi utilizando concreto armado, cerâmica ou porcelana. O cobogó simplificou a produção, barateou os custos e se adaptou perfeitamente ao modernismo brasileiro. Ele deixou de ser apenas um fechamento de janela para se tornar parede, divisória, fachada e elemento de identidade nacional. Espalhou-se de Pernambuco para o país inteiro, consagrando-se como uma das maiores contribuições brasileiras para o design arquitetônico mundial.

Na minha trajetória como arquiteto, não vejo os cobogós apenas como elementos estéticos ou nostálgicos. Eles são, antes de tudo, ferramentas de conforto bioclimático e de poesia espacial. Incorporar as suas tramas nos projetos é uma forma de honrar a arquitetura vernacular e, ao mesmo tempo, responder às demandas contemporâneas de sustentabilidade. O uso inteligente de elementos vazados nos permite filtrar a insolação direta, criando jogos dinâmicos de sombra e luz ao longo do dia; transformando o sol em um elemento vivo dentro da casa.

Potencializar a ventilação cruzada garantindo que a brisa circule continuamente, reduzindo substancialmente a dependência de ar condicionado.

Preservar a intimidade sem isolar, mantendo a conexão do morador com o entorno, o jardim e a paisagem urbana. Seja em madeira, cerâmica, pedra ou concreto, a essência do muxarabi permanece viva. Criar uma arquitetura sensível ao clima brasileiro passa obrigatoriamente por esta linguagem: proteger sem isolar.

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Vanessa Ferreira

Da logística ao comércio: Vanessa Ferreira conta como a paixão pela Mogi Cores transformou sua carreira e fortaleceu um negócio familiar.

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