Empreender em tempos de incerteza: o Brasil que trava o pequeno negócio

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O empresário brasileiro está cansado de ouvir que “o cenário é desafiador”. Mas os números de 2026 mostram um desafio mais duro que o de costume: recorde histórico de empresas em recuperação judicial, mais de 7,9 mil CNPJs, alta de 21% em doze meses e 9,1 milhões de empresas com dívidas em atraso, somando R$ 232 bilhões em passivo vencido. Quem mais sofre não são as grandes companhias: entre 2023 e 2026, as microempresas em recuperação judicial cresceram 133%, e as pequenas, 69%.

Por que o aperto é tão forte? A Selic em patamar restritivo encarece o crédito e reduz o fôlego para rolar dívidas, num momento em que a inflação já pressiona custos operacionais. Some-se a isto a insegurança de um ano eleitoral: sem saber quais regras vigorarão adiante, o empresário posterga decisões e, para o pequeno negócio, isto significa não contratar, não repor estoque, não renovar contratos…

A burocracia agrava o quadro. Abrir empresa, manter obrigações acessórias em dia e conviver com a transição da Reforma Tributária consomem tempo e dinheiro que o pequeno empresário não tem sobrando. O discurso de simplificação ainda não chegou à ponta: na prática, mais exigências e fiscalização, pouco incentivo real. Sem falar do medo de fechar ou de ir embora.

Nos bastidores, o sentimento se repete: medo de não “fechar” o mês, de demitir, de mais um trimestre de aperto. Para uma parcela dos empresários, isto já virou Plano B, que é abrir empresa fora do Brasil ou relocar a operação para um país com regras mais estáveis. É um sinal grave: parte de quem gera emprego já não vê, no curto prazo, um ambiente que recompense o risco de empreender aqui. E o que está ao alcance do empresário? Enquanto o cenário macro não se resolve, cabe reforçar o básico: acompanhar o fluxo de caixa com mais frequência, evitar dívida cara de curto prazo, negociar com fornecedores antes que vire inadimplência e buscar orientação contábil preventiva. Recuperação judicial funciona melhor quando acionada cedo e não como último recurso. O diagnóstico antecipado segue sendo a ferramenta mais barata do empresário, justamente quando o Estado oferece poucas outras.

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